Sábado, Abril 25, 2009

trecho sobre coisa alguma. fala-se de língua e cultura com muitos clichés e sem exemplos

Nesta sociedade hiper capitalista da globalização informatizada, a dada altura as sociedades ocidentais bateram palmas e disseram, ah, este estádio cultural que atingimos, omnipresença da tecnologia, apoteose da imagem e do visual, onde o discurso se multiplica e a linearidade é substituída por campos e multiplicidades.

Paulatinamente, do outro lado do planeta, o Extremo Oriente sente-se cada vez mais em casa neste estado de coisas global. Há cinco mil anos que desenvolvem uma cultura da imagem e um discurso por inferência: é essa a especificidade das suas línguas - uma orgânica feita de unidades de significado indivisas que, à imagem de um sistema modular, permitem [praticamente] assumir qualquer posição, gerando do seu posicionamento, um desdobramento em imagens e significados-outros em todas as direcções, até na sua forma escrita.

 enviado por Joao @ 11:24 - 



dejà vu

50 elefantes caem à água e naufragam.

 enviado por Joao @ 00:50 - 


 
Sábado, Fevereiro 28, 2009

uma taxonomia da forma precisa-se!

Toda a casa é um portal porque é vertical.

 enviado por Joao @ 12:43 - 


 
Sábado, Janeiro 24, 2009

o jogo

Duas crianças brincam um eterno jogo. Procuram as pistas que lhes permitam construir um sentido do mundo. Uma insistindo na necessidade de se inscreverem primeiro na realidade. A outra argumentando que não é concerteza lá que as pistas se encontram.

 enviado por Joao @ 00:16 - 


 
Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Lisboas

Lisboa nunca está no mesmo lugar. Aninha-se distraída no sobrolho ensimesmado de transeuntes que passam. Esboça sorrisos tímidos no cintilar de ondas encapeladas. Espreita por detrás das janelas entreabertas ao Sol.

Lisboa é branca porque não é em lado algum. Vive suspensa num imaginário cuja presença se intui nas pistas que vai deixando na paisagem. Pistas de uma constante presença ausente, pistas da sua existência suspensa num fundo branco sem contornos, sem limites, eterno.

 enviado por Joao @ 23:21 - 



identidades

Abri o guarda-chuva e em acto contínuo fiz-me submergir em toda uma comunidade: transeuntes irreverentes, civis cujo papel desempenham em sentido apostólico. Mais do que a chuva ou as imponderâncias do clima, conta o fazer cumprir o papel profissional que mantém de pé toda uma civilização: brandindo guarda-chuvas e papeis, avança este exército de ninguém, para lado algum, a toda a hora.

 enviado por Joao @ 00:36 - 


 
Domingo, Janeiro 11, 2009

composição

Tristes dos que reduzem a composição a um gesto mecânico, matematizável.

 enviado por Joao @ 16:32 - 


 
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

dois mil e nove

E o ano chegou coberto em neblina.

 enviado por Joao @ 23:19 - 


 
Sábado, Dezembro 20, 2008

do desenho

Todo o desenho é uma ficção. A comprovar isso, é o facto de o desenho não poder ser prova aceitável em tribunais. O desenho é sempre uma outra realidade, por muito "realista" que seja.

Para lá da ficção que cria, organiza-se num pontilhado de registos que justapostos em cadernos e paredes, acto que per si cria novas possibilidades de ficção, novas narrativas. O cinema surge da evolução do desenho à velocidade industrial: o pontilhado de registos transforma-se numa linha contínua à imagem de uma cadeia de produção. A velocidade contemporânea permitiu ao desenho assomar nova dimensão, em toda a sua liquidez e profusão, para a qual ainda não se concertou um nome, mas que é aquilo cuja silhueta se vislumbra na ideia de "sociedade do espectáculo", no actual culto pela imagem, pelo ícone, pelo temporário.

 enviado por Joao @ 11:42 - 



mudo

Quero dizer e não tenho instrumentos.

 enviado por Joao @ 11:35 -